MEUS PAIS
AO CENTRO MINHA IRMÃ ANA MARIA (5 anos)
EU (3 anos) NO COLO DE PAPAI
MEU IRMÃO FRANCISCO MARIO (3 meses) NO COLO DE MAMÃE
NESTA FOTO ESTÁVAMOS NA CHÁCARA ONDE NASCI
Escrevi muitas vezes sobre esta terra, inclusive este textinho.
RECORDANDO
Ainda consigo
sentir o perfume das jabuticabeiras floridas.
Aquele cheiro
de mato da minha terra jamais deixou de estar impregnado em meu ser.
Consigo ainda
ouvir o barulho do córrego, o vento nos bambuzais...
Quanto tempo
faz que eu corria por aquelas terras feito bicho livre.
Sem medo da
vida. Querendo tanto ser feliz.
Vivia sonhando
com outras terras, outra vida.
Fecho os olhos
e vejo a casa simples, o paiol, a bica d’água. O moinho.
Quantos
pequenos detalhes que teimam em permanecer intactos na memória.
Moram no
passado. Contam a minha história.
O melhor da
minha vida ficou lá, na chácara. Minha infância tão pura e doce.
Hoje, quando
revejo aquele recanto onde nasci e vivi minha infância, não consigo encontrar
nada do que me ficou na lembrança.
Parece outra
terra.
É triste.
Nela já não
correm crianças. Já não há uma mulher que trabalha cantarolando. Não há um
homem assobiando a música “Silêncio”. Não há uma velhinha tossindo sem parar.
O moinho está
silencioso, esquecido. Em ruínas. A velha roda enferrujada.
Já não existe
o jardim florido, nem as cabras, nem a bica...
Agora aquela
terra conta outra história e eu não faço parte dela.
A minha ficou
guardada como a recordação mais terna que alguém pode ter.
São Carlos, 11 de agosto de 1995
Sonia Delsin

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